Actualmente os empresários já reconhecem que o sucesso é resultado da capacidade de reunir competências, conhecimento e relacionamentos. Também as empresas que desejam estar presentes no mercado escolhem dividir compromissos e partilhar conhecimentos, por isso se associam ou estabelecem alianças.
A grande questão é até onde os gestores as empresas estão aptos a identificar o momento para estimularem uma fusão ou o grau de relacionamento ideal para uma aliança? Quais devem ser os objectivos que vão nortear essa união?
Existem muitos motivos para as empresas procurarem associações, alianças ou fusões. Desde logo um crescimento mais rápido em determinadas áreas de negócio, directas ou colaterais. No entanto, a motivação maior é a busca por mais competitividade e maiores lucros que visem permitir concorrer mais eficazmente no mercado, nomeadamente externo. Aliás, até há pouco tempo, esse objectivo era a única razão das empresas procurarem novas formas de cooperação. Porém, as empresas hoje já evoluem para outras soluções.
As fusões ou alianças também ajudam na construção de economias de escala. A indústria da aviação, por exemplo, tem elevados custos fixos e é necessário "massa critica" para competir globalmente. Muitas companhias aéreas aliaram-se e racionalizaram os voos para os mesmos destinos. Passaram a lucrar pela optimização e não na margem.
Apesar de todas estas vantagens, existem também outras alianças que não tiveram grande sucesso e outras têm existido que apenas resultam numa óptica de curto-prazo, trazendo enormes prejuízos a todas as partes a médio e longo prazo. Por isso mesmo é fundamental encarar estes processos com muito cuidado. As empresas necessitam de estar inteiramente focadas no planeamento destas alianças. Aqui ficam alguns conselhos e um pequeno roteiro desse processo:
Primeiro, é a fase de identificação do parceiro ideal. Nesse ponto, deve-se definir com clareza a estratégia e os objectivos da aliança. Depois, é procurar o candidato cujo perfil melhor se enquadre com esses objectivos. Vale a pena lembrar que a análise sobre os potenciais parceiros deve ir além da mera atratividade das suas competências e da sua posição no mercado. É preciso incluir aspectos menos tangíveis, como os culturais e a idoneidade, por exemplo. Logo em seguida, é o momento da avaliação técnica. Isso implica determinar as competências que podem diferenciar a aliança, definir como é que ela será constituída, identificar as vantagens dos produtos ou serviço em relação aos da concorrência, quantificar a criação de valor e a sua fonte, prever os pontos fracos da futura aliança e o seu impacto previsível nos stakeholders, trabalhadores, clientes e demais interessados.
Um elemento fundamental para que estas alianças perdurem é que uma aliança estratégica não deve ter como objectivo único a eliminação da concorrência, mas sim permitir criar um novo ambiente de mercado. Competitivo sim, no entanto mais estável e de menor grau de concentração onde prevaleça a evidência pela competência e pelo espírito de negócio.
À luz dos resultados dos últimos anos pode-se afirmar que as alianças estratégicas ou fusões, conforme o caso, podem de facto permitir o nascimento de um novo organismo empresarial de grande sucesso. É caso para dizer que a soma de partes independentes e externas é muitas das vezes superior ao todo, uno e isolado.
António Godinho
Administrador Exchange
antonio.godinho@exchange.pt
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