No rescaldo da Semana Global do Empreendedorismo e do Dia Nacional do Empreendedor, do passado dia 19 de Novembro, organizado pela Onebiz e pela Sartorial, ficou claro a necessidade de continuar a sensibilizar a sociedade portuguesa para a necessidade, agora mais do que nunca, de uma cultura empreendedora e de capacidade de assumir riscos, assumindo os fracassos como forma de aprendizagem, por vezes necessária, para atingir grandes sucessos empresariais.
O empreendedorismo é a arte de fazer acontecer com criatividade e motivação. Esta forma de estar consiste no prazer de realizar com vontade e inovação qualquer projeto pessoal ou organizacional, em desafio permanente às oportunidades e riscos. É assumir um comportamento pró-ativo diante de questões que precisam ser resolvidas. Assim aconteceu tantas vezes na nossa história.
Com a atual conjuntura adversa, os nossos governantes e a sociedade em geral devem assumir o empreendedorismo como uma das soluções, se não mesmo a principal, para ultrapassar a crise, criando valor e novos postos de trabalho, renovando o nosso tecido empresarial, com empresas mais eficientes e exportadoras.
A necessidade de olhar para as políticas do fomento ao empreendedorismo como estratégicas, deverá estar cada vez mais na agenda, com particular enfoque na área da educação nos mais diversos níveis de ensino, mas com grande enfoque desde o ensino primário, onde a sensibilização para o tema pode revolucionar e alterar a atual cultura de aversão ao risco e não aproveitamento/enquadramento adequado, ao nível do estímulo da criatividade e da inovação.
Ser português tem que ser sinónimo de ser empreendedor. É preparar-se para o cultivo de atitudes positivas no planeamento da vida. É procurar o equilíbrio nas realizações, considerando as possibilidades de erros como um processo de aprendizagem e aperfeiçoamento.
O empreendedorismo proporciona um elevado grau de realização pessoal. As pessoas são recompensadas pelo prazer que encontram no trabalho onde o negócio é o resultado da exteriorização dos próprios valores internos. As atitudes do empreendedor são construtivas, sobeja o entusiasmo e bom humor, condição fundamental para a manutenção do equilíbrio emocional e do exercício da criatividade. Para o empreendedor não existem apenas problemas, existem problemas com soluções
A criatividade empreendedora envolve novidade, surpresa, originalidade, talento pessoal, visão da vida, procura de saídas e gestão de resultados. Quem desenvolve e cultiva a criatividade empreendedora está à procura do sucesso.
É fundamental contrariar a tendência dos dados do último barómetro sobre empreendedorismo (Dezembro 2009), que revela que os portugueses estão a decrescer desde 2002 na vontade de serem donos do próprio negócio (de 71% para 51%), sendo por isso relevante reduzir a aversão ao risco e fomentar o empreendedorismo qualificado e de base tecnológica, geradores de bens e produtos transacionáveis, que sejam passíveis de exportação, aproveitando o incremento fantástico do número de cientistas e investigadores nas nossas universidades e centros de investigação e tecnologia, que se encontram ao nível do melhor que existe no mundo.
Só teremos sucesso se nos concentrarmos na produção de bens, serviços e produtos transacionáveis que sejam competitivos no mundo global em que hoje vivemos, pela qualidade e inovação que ofereçam. Vamos acreditar e empreender, seja por conta própria ou por conta de outrem, este também chamado de intra- empreendedorismo, mas igualmente importante para o crescimento da capacidade empreendedora do país.
António Godinho
Administrador Sartorial
antonio.godinho@sartorial.pt
Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011
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